Filtros de busca:

Destaques


Ano III - Edição 99 - 03/03/2026 a 15/03/2026

Faculdade de Medicina da USP realiza as primeiras telecirurgias robóticas do SUS

Faculdade de Medicina da USP realiza as primeiras telecirurgias robóticas do SUS


Iniciativa representa um passo importante para a incorporação dessa tecnologia e para a ampliação do acesso a cirurgias de alta complexidade no país

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) entrou para a história da medicina brasileira ao realizar, entre os dias 24 e 26 de fevereiro, as primeiras telecirurgias robóticas do Sistema Único de Saúde (SUS). Os procedimentos inauguram um novo momento para a assistência pública de alta complexidade no país e demonstram, de forma concreta, que o SUS tem capacidade estrutural e técnica para incorporar tecnologias avançadas com responsabilidade e rigor científico. 

Desenvolvido em parceria com o Hospital Universitário da USP (HU-USP), o projeto conectou, em tempo real, o console instalado no Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos (PROMIN), sediado e operado por cirurgiões na FMUSP, aos braços robóticos posicionados no centro cirúrgico do HU, a cerca de 15 quilômetros de distância. 

“Estamos diante de um marco para a saúde pública brasileira. Ao realizar as primeiras telecirurgia robótica do SUS, a FMUSP não apenas incorporou uma tecnologia de ponta, mas estruturou um modelo seguro e replicável para o sistema público. Esse é o papel da universidade pública: liderar agendas estratégicas, transformar conhecimento científico em benefício direto para a população e ampliar o acesso a procedimentos de alta complexidade com responsabilidade e base em evidências”, afirma a Profa. Dra. Eloisa Bonfá, diretora da Faculdade de Medicina da USP.

Cinco cirurgias em cinco especialidades

A etapa clínica do projeto envolveu cinco pacientes do SUS, já inscritos na fila regular de atendimento e com indicação cirúrgica estabelecida independentemente do projeto. A adoção da via robótica seguiu critérios rigorosos de segurança, com priorização de casos de menor complexidade nesta fase inicial.  

O primeiro paciente, submetido a uma prostatectomia oncológica (procedimento que consiste na remoção completa da próstata e das vesículas seminais para tratamento de câncer localizado) recebeu alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento, com evolução clínica satisfatória. 

Foram realizados procedimentos em quatro especialidades: urologia, cabeça e pescoço, cirurgia torácica, cirurgia geral e ginecologia.

Estruturação para escala nacional

O Projeto Telecirurgia Robótica FMUSP é coordenado pelo Prof. Dr. José Pinhata Otoch, titular do Departamento de Cirurgia da FMUSP e superintendente do Hospital Universitário da USP; pelo Prof. Dr. Giovanni Guido Cerri, titular do Departamento de Radiologia e Oncologia da FMUSP e coordenador do InovaHC; e pelo Prof. Dr. Everson Luiz de Almeida Artifon, coordenador do PROMIN. Os três lideram a condução técnica, científica e assistencial da iniciativa. 

Estruturado desde a origem com foco em escala e sustentabilidade, o programa consolida parâmetros técnicos, assistenciais e de segurança cibernética que podem servir de referência nacional para a implementação da telecirurgia robótica no SUS. A proposta vai além da experiência local e estabelece bases concretas para expansão responsável da tecnologia na rede pública. 

A FMUSP já iniciou articulação com o Ministério da Saúde para a constituição de um grupo de trabalho voltado à discussão regulatória e à avaliação de critérios para eventual incorporação da telecirurgia robótica como política pública. O movimento insere o tema na agenda nacional de modernização do SUS e abre caminho para debates sobre financiamento, governança clínica e padronização tecnológica.

Democratização do acesso

“Atualmente, a cirurgia robótica no Brasil está concentrada majoritariamente na rede privada. Ao estruturar a primeira telecirurgia robótica do SUS com base científica e protocolos replicáveis, a FMUSP reafirma seu papel público na redução das desigualdades no acesso à alta complexidade e fortalece a capacidade do sistema público de liderar processos inovadores”, reforça a Profa. Dra. Eloisa Bonfá. 

O marco simboliza a incorporação de uma tecnologia e a consolidação de um caminho para que o SUS avance com qualidade, segurança e compromisso com a população brasileira.

Assessoria de Comunicação e Imprensa da FMUSP


Publicado em 06/03/2026

Notícias Relacionadas

Nós utilizamos cookies que nos ajudam a melhorar sua experiência de navegação e nos permitem medir como os visitantes se movimentam pelo site.

Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade e de Cookies.

Este site não dá suporte ao navegador Internet Explorer