Estudo desenvolvido pela UTI Respiratória do InCor e pela Saúde Digital do HCFMUSP revelou que métodos de ensino híbridos aumentam o acesso e o nível de conhecimento técnico de equipes multidisciplinares na linha de frente
O cuidado em terapia intensiva evolui de forma contínua e acelerada, exigindo que os profissionais de saúde se mantenham constantemente atualizados, mesmo diante de elevadas demandas clínicas e administrativas.
No Brasil, tais desafios são intensificados pela distribuição desigual de leitos de UTI, pela escassez de equipes multiprofissionais especializadas e pela concentração de intensivistas nas regiões Sudeste e Sul. Com o objetivo de mitigar esse cenário, além de expandir e inovar o cuidado intensivo no país, foi criado o projeto TeleUTI Conectada.
A iniciativa foi desenvolvida pela UTI Respiratória do Instituto do Coração (InCor), com apoio da Saúde Digital e do Ministério da Saúde. Além da realização de teleinterconsultas especializadas e do monitoramento de indicadores assistenciais, o projeto estruturou um robusto programa educacional em oito unidades de terapia intensiva, distribuídas pelo Brasil.
O eixo de capacitação foi ministrado entre dezembro de 2023 e outubro de 2024 para enfermeiros, fisioterapeutas e médicos.
O programa utilizou três estratégias pedagógicas complementares: cursos assíncronos, aulas virtuais síncronas e simulações presenciais. Os resultados, publicados recentemente em periódico da American Thoracic Society, demonstraram que o modelo foi amplamente bem avaliado e produziu impacto significativo na competência técnica das equipes.
O estudo teve como objetivo descrever a implementação dessas atividades educacionais multiprofissionais, comparar a satisfação entre diferentes métodos de ensino e avaliar os ganhos de conhecimento, tanto percebidos quanto mensurados.
Para o Prof. Dr. Carlos Carvalho, diretor da Saúde Digital e chefe da UTI Respiratória do InCor, “a TeleUTI Conectada é um projeto pioneiro que está na fronteira do conhecimento no cuidado de pacientes graves em ambiente de terapia intensiva. Para seu sucesso, demonstramos que é fundamental a educação e capacitação das equipes.”
As conclusões do estudo reforçam que o projeto TeleUTI Conectada constitui um modelo aplicável à capacitação em terapia intensiva em regiões remotas e com recursos limitados.
Para ler o artigo Assessment of Critical Care Education in the Context of a Tele-ICU Implementation, acesse: https://doi.org/10.1093/atsscholar/aapaf004.
Caio Túlio Padula Lamas (Saúde Digital)
Publicado em 06/03/2026