Durante o curso, os profissionais moçambicanos aprenderam técnicas avançadas para garantir imagens de qualidade em diferentes perfis de pacientes
O Instituto de Radiologia do HCFMUSP (INRAD) participou do curso internacional de treinamento em tomografia realizado em Moçambique, em dezembro de 2025.
A iniciativa, promovida pelo Ministério da Saúde local em parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), contou com a participação do Diretor Físico-Técnico do INRAD, Carlos Edmundo, além de especialistas do Hospital das Clínicas da FMUSP.
O curso surgiu da necessidade de treinar os profissionais para operar as 17 máquinas de tomografia que o país recebeu. A missão também contou com a participação do docente do Programa de Residência em Física Médica da FMUSP, Prof. Paulo Costa, e do médico radiologista, Dr. Paulo Fabiani.
Durante os cinco dias de atividades, os profissionais moçambicanos aprenderam desde o manuseio básico dos equipamentos até técnicas avançadas para garantir imagens de qualidade em diferentes perfis de pacientes. Além disso, o acesso remoto aos aparelhos do Instituto no Brasil permitiu detalhar cada etapa das aulas teóricas, tornando o aprendizado mais efetivo.
Além da parte técnica, o treinamento revelou contrastes culturais no atendimento ao paciente. “Enquanto no Brasil a humanização é parte essencial dos serviços, em Moçambique o processo é mais objetivo, reflexo da realidade local”, explica Edmundo.
Outro ponto observado foi a forma de solicitação dos exames. “Os médicos costumam pedir tomografias apenas quando já identificam indícios clínicos de alteração, o que difere da prática brasileira de prevenção e diagnóstico precoce”, completa o especialista.
Para os integrantes da missão, a experiência foi enriquecedora não apenas pelo compartilhamento de conhecimento, mas também pelo aprendizado com a dedicação e coragem dos profissionais locais, que mesmo com recursos limitados demonstraram compromisso em oferecer o melhor atendimento possível.
O relatório final do curso ainda está em elaboração, mas para o Diretor Físico-Técnico do Instituto, já é possível perceber o impacto positivo da iniciativa. A expectativa é que as futuras edições ampliem o período de treinamento para até quinze dias, fortalecendo ainda mais a troca de experiências entre Brasil e Moçambique.
Publicado em 06/02/2026