A iniciativa pretende avaliar o uso de um ecossistema integrado no cuidado remoto de idosos
A Saúde Digital do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), a Unidade de Cardiogeriatria, o Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular (LGCM) e o Laboratório de Informática Biomédica (LIB) do Instituto do Coração (InCor) iniciaram um estudo de telemonitoramento de funções vitais em pacientes idosos.
A iniciativa pretende avaliar o uso de um ecossistema integrado no cuidado remoto de idosos, com foco na identificação precoce de alterações clínicas relevantes e no aprimoramento do acompanhamento assistencial.
A frente dessa iniciativa, estão o Diretor da Saúde Digital do HCFMUSP e Professor Titular de Pneumologia da FMUSP, Prof. Dr. Carlos Carvalho; o Professor Associado do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Prof. Dr. Marco Antonio Gutierrez e o Diretor da Unidade de Cardiogeriatria do InCor e Professor de Geriatria da FMUSP, Prof. Dr. Wilson Jacob Filho.
O ecossistema integrado é composto por uma smartband (pulseira inteligente) de monitoramento, uma balança de bioimpedância e um celular, integrados a algoritmos de inteligência artificial (IA) para estimativa de biomarcadores cardiovasculares. O projeto ainda inclui um dashboard interativo, fundamental para o monitoramento dos dados gerados.
A pulseira inteligente, os algoritmos de IA e o dashboard foram desenvolvidos e validados em base de dados internacionais e em coortes de voluntários pelas equipes do LGCM e do LIB, sob Direção do Prof. Dr. José Eduardo Krieger, Professor Titular, e do Prof. Dr. Marco Antonio Gutierrez, Professor Associado, ambos do Departamento de Cardiopneumologia da FMUSP.
Como funciona o monitoramento remoto dos pacientes:
A smartband é um dispositivo utilizado no punho, de forma semelhante a um smartwatch (relógio inteligente), e emprega a técnica de fotopletismografia (PPG) para monitorar sinais vitais.
Esse método baseia-se na emissão de luz (tipicamente nas faixas do verde ao infravermelho próximo) sobre a pele e na detecção da luz refletida pelos tecidos. As variações no volume sanguíneo a cada batimento cardíaco geram pequenas mudanças nessa luz refletida, que são captadas por uma matriz de sensores ópticos e convertidas em um sinal digital (PPG).
Esse sinal digital é transmitido via Bluetooth para um celular, no qual algoritmos baseados em IA estimam parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial e saturação de oxigênio. Sensores adicionais no dispositivo permitem ainda a estimativa da temperatura corporal.
A balança de bioimpedância complementa a coleta de dados, fornecendo medidas como peso corporal, percentual de água e índice de massa corporal (IMC) que são também enviadas ao celular. Todos os dados são criptografados e transmitidos por conexões seguras (Wi-Fi ou 4G) para uma central de monitoramento.
Nessa central, uma equipe de saúde avalia os dados e acompanha remotamente os biomarcadores dos pacientes por meio de um dashboard interativo. Caso seja identificada alguma alteração relevante, o médico responsável realiza contato telefônico com o paciente para avaliar a necessidade de intervenção imediata.
Metodologia prevê duas fases distintas de acompanhamento ao longo de 12 meses
O estudo está sendo conduzido em duas etapas, ambas com duração de seis meses. Durante a fase denominada “acompanhamento”, os participantes recebem ligações telefônicas semanais, realizadas por um profissional da equipe administrativa, com o objetivo de monitorar a necessidade de atendimentos em serviços de saúde. Durante esta etapa, não há contato direto entre pacientes e a equipe médica do projeto.
Já durante a fase “telemonitoramento” os participantes utilizam diariamente o ecossistema integrado, além de receberem contato telefônico da equipe médica, com o objetivo de acompanhar e verificar suas condições de saúde. Também recebem visitas semanais de um profissional de saúde, responsável por orientar o uso adequado dos dispositivos no dia a dia.
Vídeo em Libras e cartilha reforçam orientação e acessibilidade do estudo
Para garantir a compreensão e a adequada utilização do ecossistema integrado pelos participantes, foi desenvolvida uma cartilha instrutiva. O material apresenta, de forma clara e acessível, o conceito de telemonitoramento, as etapas do estudo, o momento em que o participante se encontra no protocolo e as orientações práticas para uso dos dispositivos.
Além disso, a equipe do estudo produziu um vídeo explicativo com foco na aplicação prática, permitindo que o participante acompanhe, de forma visual e guiada, a utilização dos dispositivos. O vídeo é narrado por Veronica Fernandes Tarrega, do Centro de Comunicação Institucional (CCI) do InCor.
Também foi firmada uma parceria com o Setor de Diversidade e Inclusão do InCor, que possibilitou a interpretação do conteúdo em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Com a colaboração de Jeferson Dias La Rocca, intérprete de Libras, o vídeo tornou-se mais acessível a pacientes e familiares com deficiência auditiva, que podem compreender melhor a estrutura do estudo.
Ao integrar telemonitoramento, acessibilidade e suporte contínuo, o estudo pretende contribuir para a construção de modelos assistenciais mais resolutivos, sustentáveis e centrados no paciente, reforçando o papel do HCFMUSP e do InCor como instituições de excelência na incorporação de tecnologias na assistência em saúde.
O estudo de Telemonitoramento de Funções Vitais em Pacientes Idosos foi aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq) sob o número CAAE 87965225.0.0000.0068. Os ensaios de validação foram aprovados pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq) sob o número CAAE 45070821.3.0000.0068.
Caio Túlio Padula Lamas (Saúde Digital)
Publicado em 24/04/2026