Histórias de resistência, desafios, autoconfiança e generosidade foram celebradas e aplaudidas durante evento
A força, a união e as conquistas das mulheres foram celebradas na manhã do dia 7 de março, no Centro Líder de Inovação em Saúde Digital do Estado de São Paulo. O evento proporcionou um momento de integração e troca de experiências entre as profissionais que atuam nas frentes do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde Digital (PDI Saúde Digital), com a participação de colaboradores da Secretaria de Estado da Saúde, do InovaHC e da HCFMUSP, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.
A gerente de Capacitação, Inovação e Desenvolvimento de Pessoas do PDI, Mairy Poltronieri, conduziu a abertura do evento, apresentando um panorama cronológico com acontecimentos marcantes e mulheres protagonistas, e contextualizando a criação do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
Roda de Conversa
Após destacar mulheres inspiradoras que fizeram história no mundo, a apresentação abriu espaço para as vozes femininas que integraram uma Roda de Conversa, mediada por Paula Gobi Scudeller, diretora executiva do PDI.
Ela conduziu reflexões e diálogos enriquecedores com importantes profissionais da saúde, que compartilharam suas histórias de luta, desafios e conquistas.
Participaram da conversa a Profª. Drª. Linamara Rizzo Battistella, a Profª. Drª. Ester Sabino, a Drª. Maria Cristina Balestrin, a Profª. Drª. Rosalina Partezani e a Dra. Ivana Siqueira, que dividiram suas experiências e trajetórias inspiradoras, um dos pontos altos da celebração.
Criada em um ambiente onde sua avó já era formada em Medicina e sua mãe, além de seguir a mesma carreira, também trabalhava fora, a Profa. Dra. Ester Sabino relatou que nunca sentiu que ser mulher fazia diferença em sua trajetória, pois esse contexto parecia natural em sua criação.
No entanto, só percebeu as desigualdades profissionais entre homens e mulheres muitos anos depois. “Com o sequenciamento do Coronavírus, de repente, eu estava em todas as TVs, e eu não imaginava que isso fosse acontecer. Eu não tinha a percepção da dificuldade e consigo entender as mulheres que não têm. A professora encerrou seu depoimento afirmando que acredita na força do coletivo e no trabalho em parceria com outras mulheres.
A Drª. Maria Cristina Balestrin falou sobre o privilégio de estar entre mulheres tão diversas e com trajetórias tão distintas e inspiradoras. Ela contou que teve mulheres importantes em sua vida, mas também homens que foram fundamentais em sua jornada profissional, apoiando-a ao longo do caminho. “Foram as minhas escolhas que me trouxeram até aqui. Inúmeras vezes pensei em desistir dos lugares onde estive, questionei a mim mesma: o que estou fazendo aqui? Mas, rapidamente, vem aquela sensação que diz: eu posso contribuir, meu trabalho é relevante, eu posso ajudar as pessoas. Mais do que ter boas histórias para contar, eu posso mudar vidas”.
Longe da posição de quem dá conselhos, ela refletiu sobre o papel das mulheres e suas habilidades essenciais. “Temos atributos muito importantes que nos diferenciam, como a capacidade de ouvir e a empatia, a habilidade de se colocar no lugar do outro. Tenho isso como um mantra: como me sentiria se ouvisse aquilo que estou dizendo? Nem sempre somos doces, nem sempre somos leves. Muitas vezes, precisamos ser incisivas, firmes, mas nunca podemos trair nossas crenças ou fazer algo que não nos faça bem”.
Fazer alianças e remover barreiras foi um dos pontos centrais abordados pela Profª. Drª. Linamara Rizzo Battistella em sua fala na roda de conversa. “A aliança nos coloca na decisão, e não abaixo do poder de decisão. Outra grande questão para nós, mulheres, é que precisamos ter uma escuta mais afinada”, disse, mencionando um episódio em que ouviu de um professor que as mulheres são complicadas. Para ela, complicado é entender que as mulheres têm o mesmo espaço dentro deste planeta.
Ao longo de seus 50 anos de trajetória dentro do HC, Profª. Drª. Linamara relatou ter presenciado muita discriminação entre as próprias mulheres. No entanto, ela ressaltou que, para ser adequada, não é preciso ser igual a eles. “Temos que agir conforme nossos princípios e nossa lógica. Precisamos ter cuidado para não sermos um instrumento de redução dos direitos das mulheres e de fortalecimento de uma soberania que não existe”.
Segundo a Profa. Linamara, no cenário atual, as mulheres ocupam todos os espaços e se destacam por sua capacidade de identificar onde podem ser mais eficientes, cumprindo com rigor e qualidade aquilo que lhes é demandado. “Muitas vezes, o que nos falta não é o reconhecimento do outro, mas o reconhecimento da outra. E quando trabalhamos juntas, somos imbatíveis”, concluiu.
Inspirada por uma liderança forte em sua carreira e movida por sua inquietude, a Dra. Ivana Siqueira percebeu que, para provocar mudanças, precisava saber argumentar e, assim, convencer tanto homens quanto mulheres.
A partir dessa compreensão, construiu sua trajetória na gestão. Com um olhar atento aos problemas das instituições, identificou oportunidades para propor melhorias. “Virei uma pessoa de processos, numa época em que pouco se falava sobre isso. Comecei a entender que estava ganhando poder, e essa foi uma trajetória divertida, porque envolve muitas batalhas – e eu gosto de um desafio”, afirmou.
Segundo Ivana, sua fonte de inspiração sempre foi a crença em suas ideias, sustentadas pelo conhecimento e por uma rede de relacionamentos, o que a levou a uma jornada de muitos sucessos e também alguns grandes erros. “Como mulher, digo que somos múltiplas. Isso nos dá uma vantagem enorme, pois nos permite enxergar o todo em um espectro ainda maior”.
Ela acredita que, atualmente, a questão de gênero está mais equilibrada, mas ressalta: “ainda teremos muitas batalhas para enfrentar e continuaremos sentando em mesas onde o poder é predominantemente masculino – por uma questão numérica. Mas, se estivermos bem preparadas, com crença no que defendemos e ideias que façam sentido para o presente e o futuro, venceremos essas batalhas”.
Ao relembrar sua trajetória profissional, a Profa. Dra. Rosalina Partezani destacou o aprendizado ao lado do Dr. Adib Jatene, que lhe proporcionou uma base técnica sólida e grandes desafios na área da saúde pública no Nordeste. “Os desafios na vida da mulher vão além do trabalho e da casa – passam também pela educação e criação dos filhos”, afirmou.
Sempre inquieta e argumentativa, dedicou-se ao ensino na graduação e pós-graduação da Escola de Enfermagem em Ribeirão Preto, onde mora. “Não podemos esquecer que, para alcançar o empoderamento e desenvolver as competências que tantas colegas mencionaram, precisamos de garra. Temos que abraçar as oportunidades e seguir em frente. A mulher consegue? Consegue. Para mim, não há diferença entre homens e mulheres”.
Histórias de resistência, desafios, autoconfiança e generosidade foram celebradas e aplaudidas pela equipe do PDI e pelos convidados, fortalecendo a conexão entre todos na celebração do Dia Internacional da Mulher, uma data marcada pela luta e conquistas femininas.
Publicado em 14/03/2025